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PRESS
Plantas Geneticamente Modificadas
têm benefícios na agricultura



cienciapt.net - 24 de Janeiro de 2007




O CiB – Centro de Informação de Biotecnologia apresentou ontem, 23 de Janeiro, uma análise do relatório de 2006 sobre a comercialização global das culturas geneticamente modificadas (GM), “Uso de plantas GM na agricultura traz benefícios económicos, sociais e ambientais”, divulgado no passado dia 18 de Janeiro, pelo Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações da Biotecnologia (ISAAA).

Francisco Avilez, especialista em Economia Agrícola e Professor Catedrático do ISA - Instituto Superior de Agronomia; Gabriela Cazajous Cruz, agricultora e Presidente da Aposolo - Associação Portuguesa de Mobilização de Conservação do Solo; e José António Matos, investigador e coordenador do Grupo de Biologia Molecular do INETI - Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação foram os convidados para comentar o estudo.

Segundo Gabriela Cruz, “as variedades GM (VGMs) são muitíssimo importantes para a agricultura em todo o mundo, em especial para os países em desenvolvimento, e Portugal não é excepção.” A agricultura e dirigente da Aposolo defende que apesar da utilização de VGMs na agricultura obrigar ao cumprimento das regras exigentes e a um controlo muito rígido, o seu cultivo é benéfico. Evita o uso de produtos fitofarmacêuticos (pesticidas), pois são variedades resistentes a pragas e doenças, o que se traduz em maior produtividade das plantas e consequentes benefícios económicos. A não aplicação de um pesticida traduz-se também em benefícios sociais e ambientais, pois é menos um produto tóxico com que o agricultor tem de lidar e que não contamina o ambiente. José António Matos salientou as “224 300 T de pesticidas que não tiveram de ser usadas, entre 1996 e 2005, devido ao uso de VGMs, e que não contaminaram solos, águas subterrâneas e rios.” O investigador do INETI e Francisco Avilez considera que “as previsões do ISAAA para o futuro – 20 milhões de agricultores a produzirem culturas GM em 200 milhões ha até 2015 - são modestas”. Segundo os comentadores, a partir do momento em que variedades de arroz GM forem aprovadas para comercialização, prevê-se que a sua produção na Ásia seja muito elevada. Por exemplo, uma das variedades que será disponibilizada dentro de poucos anos é o “arroz dourado”, enriquecido com beta-caroteno. O seu consumo será fundamental nas populações asiáticas para impedir a cegueira, principalmente nas crianças. Estas previsões foram também consideradas modestas, porque algumas plantas como o milho e a colza serão decisivas para a produção de biocombustíveis em todo o mundo. A utilização de variedades GM destas plantas trará capacidade competitiva aos seus produtores que as utilizarão em larga escala. O especialista em economia agrícola, Francisco Avilez, considerou ainda que as potencialidades da soja e do algodão transgénico são superiores às apresentadas e que a utilização das duas culturas GM irá chegar rapidamente aos 90-100% em todo o mundo.

Na apresentação da avaliação deste relatório o Presidente do CiB, Pedro Fevereiro, salientou que “mais uma vez se demonstrou que as culturas geneticamente modificadas continuam a merecer a confiança dos agricultores, sobretudo dos pequenos agricultores dos países em desenvolvimento, que as escolhem devido à sua eficiência e facilidade de manuseamento”. O Presidente do CiB chamou ainda a atenção para o “claro aumento da aceitação desta tecnologia demonstrado pelo ritmo de adopção - cerca de 12 por cento ao ano -, que é o mais rápido conhecido para uma nova tecnologia agrícola”. Pedro Fevereiro explicou também que o uso de plantas geneticamente modificadas na União Europeia (UE) tem sido reduzido, devido à controvérsia pública relacionada com as variedades de plantas geneticamente modificadas e à demora dos dispositivos legais de aprovação na UE para assegurar a segurança da sua utilização.