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PRESS
Biocombustível
Aposta no bioetanol será muito importante para a agricultura



Agro Notícias - 14.02.2007





O secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Rui Gonçalves, afirmou ontem que a aposta no bioetanol em Portugal abre perspectivas económicas muito importantes para os produtores de milho e para a agricultura portuguesa.

A procura de milho tem crescido a nível mundial devido à sua utilização na produção de bioetanol, um biocombustível utilizado para incorporar nos veículos a gasolina, e cujo preço por tonelada se prevê que atinja os 140 a 180 euros a tonelada.

Rui Gonçalves, que falava no encerramento do primeiro dia de trabalhos do V Congresso Nacional do Milho, organizado pela Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS), considera que o aumento da procura do milho a nível mundial, sobretudo por parte dos Estados Unidos, abre perspectivas interessantes para os produtores de milho nacionais.

"A procura de novos produtores de milho vai manter-se durante muitos anos, ou mesmo décadas, devido à crescente produção de bioetanol. Penso que vêm aí tempos muito interessantes para os produtores de milho", afirmou.

Rui Gonçalves incentivou os agricultores portugueses a apostarem na cultura do milho, esperando com isso um impacto positivo no mundo rural, com a criação de mais emprego e a recuperação das terras abandonadas.

O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, afirmou também que o aumento para 10 por cento, até 2010, do objectivo de incorporação de biocombustíveis nos combustíveis tradicionais, abre um "enorme potencial" na produção de biocombustíveis em Portugal e é "uma grande oportunidade para a agricultura".

José António Porfírio, assessor do gabinete do ministro da Agricultura, estima que para cumprir esse objectivo seja necessária a produção de 650 mil toneladas por ano de biodiesel (para incorporar nos veículos a gasóleo) e de 235 mil toneladas de bioetanol.

Para produzir esta quantidade de bioetanol, o responsável estima que sejam necessárias 620 mil toneladas de milho por ano, num total de 50 a 60 mil hectares de terreno ocupados com a cultura.

"É importante não fechar os olhos a esta possibilidade, pois são áreas de produção que não são impossíveis de realizar", defendeu.

Existem, actualmente, dois projectos para unidades industriais com a capacidade de produzir cerca de 100 mil toneladas por ano de bioetanol e que serão suficientes para as necessidades nacionais.

José António Porfírio prevê que a construção das unidades de produção se inicie ainda este ano e que comecem a produzir em 2009.

Júlia Seixas, da Universidade Nova de Lisboa, defendeu que o aumento do objectivo de 5,75 para 10 por cento de incorporação de biocombustíveis até 2010, vai implicar, só por si, uma redução potencial de emissões de C02 para a atmosfera, equivalente ao que se previa com a aplicação de todas as medidas adicionais previstas para o sector dos transportes.