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PRESS
Comissária da Agricultura em Portugal com Polémica Reforma do Vinho


Agência Lusa - Publicado 17 de Julho de 2006




A comissária europeia da Agricultura, Mariann Fischer-Boel, desloca-se a Portugal em Setembro para visitar a região do Douro, onde discutirá a polémica reforma do sector do vinho, cujo primeiro debate decorre terça-feira em Bruxelas ao nível dos 25.

A iniciativa da comissária insere-se numa série de deslocações que Fischer-Boel quer realizar aos principais produtores de vinho da União Europeia (UE), sendo Portugal o segundo país a receber a sua visita, após Espanha, em Junho, disse à agência Lusa fonte comunitária.

Do programa provisório da visita, que decorrerá entre 01 a 03 de Setembro, constam encontros com o ministro da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural, Jaime Silva, e com representantes do sector vitivinícola português.

A futura reforma do sector do vinho estará no centro da discussão do conselho de ministros da Agricultura da UE, que se realiza terça-feira em Bruxelas, que pela primeira vez se pronunciarão sobre as intenções da Comissão de destruir 400 mil hectares de vinha e reduzir as ajudas ao sector sob o argumento da necessidade de se produzir "menos e melhor" vinho.

O documento, apresentado a 22 de Junho, aponta quatro cenários para o sector vitivinícola, que servirão de base a propostas concretas para a reforma da Organização Comum de Mercado (OCM) do vinho, no início de 2007, e que poderão levar à liberalização do sector.

O objectivo de Bruxelas é limitar os escelentes de vinho existentes no mercado, provocados não só pela dificuldade de escoamento, mas também pela mudança de hábitos, que levaram à redução do consumo de vinho.

A comunicação do executivo comunitário aponta quatro cenários para o sector, promovendo nomeadamente o arranque de vinhas (400 mil hectares), mediante o pagamento de prémios  (2.400 milhões de euros em cinco anos), tendo em vista reduzir a produção viticinícola na Europa, cujos excedentes obrigam, nomeadamente, à destilação, solução que Bruxelas quer proibir.

Jaime Silva já afirmou que Portugal não deverá ser largamente afectado, uma vez que o excedente de vinho, apontado como uma das razões para a reforma, "é um problema sobretudo noutros países".

O problema para o país poderá estar, no entanto, no fim das ajudas à destilação, que Portugal recebe para o vinho do Porto, segundo fonte do Ministério da Agricultura português.

Por seu lado, Mariann Fischer-Boel considera "urgente" a reforma do sector vitivinícola na UE, querendo que as novas regras entrem em vigor em 2008.

De outra forma - antevê - receia que o "sistema entre numa crise irreversível".

Portugal, França, Espanha e Itália são responsáveis por 80% da produção comunitária de vinho na UE.

Em Portugal, existem 236 mil hectares de vinha, num total de 3,5 milhões de hectares na UE, e 39.500 produtores declarados.