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Cultivo de milho transgénico quase duplicou este ano em Portugal



Público.pt - Publicado a 21 de Julho 2006 - 19H26




Dados do Instituto do Ambiente

Os agricultores portugueses cultivaram, este ano, mais de 1200 hectares de milho transgénico, segundo as notificações divulgadas pelo Instituto do Ambiente, o que representa quase o dobro do que foi cultivado em 2005.

"Em termos de superfície, o cultivo de variedades geneticamente modificadas é pouco significativo, porque representa menos de um por cento do total. Mas houve um crescimento de 40 a 45 por cento relativamente ao ano passado, quando foram semeados cerca de 750 hectares", disse o presidente da Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS). Luíz Vasconcellos e Sousa justifica o crescimento com a "vontade comercial das empresas produtoras de sementes em implantarem os Organismos Geneticamente Modificados (OGM)" na Europa.

No entanto, a procura não responde da mesma forma.

"Não há mercado para OGM na Europa, pelo menos declarado. Daí que a superfície cultivada continue a ser reduzida. Não há uma grande pressão por parte da procura para que isso aconteça, logo, comercialmente não se torna muito interessante", adiantou.

A lei que regula o cultivo de organismos geneticamente modificados em Portugal (17 variedades de milho) estabelece que os agricultores, entre outras obrigações, devem notificar a respectiva Direcção Regional da Agricultura, informando sobre a espécie que pretendem cultivar, a área e local onde se fará o cultivo e as medidas de coexistência adoptadas para evitar contaminações acidentais com outras culturas.

A divulgação das informações recolhidas pelas direcções regionais é feita posteriormente pelo Instituto do Ambiente, uma vez que esta é a entidade que acompanha os eventuais efeitos dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM) sobre o ambiente.

No total, foram recebidas notificações relativas ao cultivo de 1241 hectares de milho transgénico, com destaque para as regiões do Ribatejo e Oeste (453 hectares) e Alentejo (678 hectares).

Os agricultores são também obrigados a informar as direcções regionais sobre as medidas de coexistência adoptadas para evitar a contaminação com outras culturas convencionais ou biológicas.

Estas medidas incluem distâncias mínimas de isolamento que variam entre os 200 e 300 metros ou, em alternativa, bordaduras com 24 a 28 linhas de milho não transgénico ou sementeiras escalonadas para impedir a polinização de outras culturas adjacentes.