Este site utiliza o plugin Flash Player 8, clique aqui para instalar.
PRESS
Vinha de qualidade sem garantia de protecção


Jornal de Notícias - 28.Setembro.2006




A vinha foi o tema que mais dúvidas suscitou à CAP em Bruxelas
 

Teresa Costa, enviada a Bruxelas

"Não se pode assegurar a 100% que a vinha de qualidade não será arrancada", admitiu ontem, em Bruxelas, Alberto d'Avino, da Direcção-Geral europeia da Agricultura, quando explicava a uma delegação da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) as ideias da Comissão para reformar o mercado comum do vinho.

Para defender a posição da comissária Fischer Boel, o perito afirmou que será "extremamente improvável que um produtor que tenha vinho de qualidade vá arrancar a vinha", sublinhado que a decisão caberá apenas ao produtor, embora também tivesse afirmado que cada Estado poderá definir os critérios do arranque.

Entre os temas seleccionados pela CAP para abordagem ao longo da visita de três dias que está a organizar a Bruxelas com alguns dos seus técnicos e dirigentes associativos, o vinho foi o que mais dúvidas suscitou, tendo em conta a intenção da Comissão de promover o arranque de 400 mil hectares de vinha e de acabar com as ajudas à destilação do vinho e ao mosto.

Um dos agricultores confrontou o perito com o que considerou uma "contradição" da política europeia, quer por prever o fim das ajudas ao mosto, mas viabilizar a sua importação; quer por apelar à produção de vinho de qualidade e, em simultâneo, promover campanhas anti-consumo de vinho, por motivos de saúde e de sinistralidade rodoviária.

Alberto d'Avino negou essa "contradição", alegando que a proposta da comissária, por um lado, tem de respeitar as regras da Organização Mundial do Comércio e, por outro, defendeu que as campanhas anti-consumo são da responsabilidade do Estado que as promove.

Outra dúvida relacionou-se com a vinha cuja restruturação tem vindo a ser apoiada. Sobre o assunto, o perito da Comissão avançou que essas superfícies não deverão ser elegíveis para o arranque.

A proposta da Comissão - cuja versão final "talvez não seja possível apresentar antes do fim do ano", disse - pretende, segundo a Comissão, reduzir os excedentes internos, decorrentes da redução do consumo, aumento das importações e dos stocks e quebra nos rendimentos dos viticultores.

Além do vinho, a reforma do mercado comum das frutas e legumes também preocupa os agricultores, com a proximidade do dia 29 de Novembro, quando está prevista a apresentação da proposta da Comissão sobre a matéria. Os produtores ligados à CAP estão particularmente interessados em saber como irão ser os apoios à produção de tomate. Defendem o desligamento das ajudas da produção, mas enfrentam a oposição da indústria, que receia a falta de matéria-prima para transformar e, com isso, o fecho das unidades, um cenário recusado por Tomas Garcia Azcarte, chefe de unidade das Frutas e Legumes da Comissão, considerando esse receio "exagerado".

Ser um bom agricultor

Queixam-se os agricultores de que as constantes mudanças na política agrícola da União Europeia geram instabilidade e insegurança sobre a estratégia a seguir nas suas explorações e lamentam a falta de informação sobre as alterações que se vão desenhando nos gabinetes em Bruxelas. Confrontado ontem com este tipo de observações, Tomas Garcia Azecarate, chefe da Unidade de Frutas e Legumes da Comissão Europeia, respondeu "Quem quiser ser um bom agricultor, seja qual for a política seguida em Bruxelas, tem de seguir três coisas: saber que o futuro é o mercado e o mercado é o futuro; trabalhar sempre com os mais baixos custos de produção, e isso consegue-se com organização; diversificar o produto para obter mais valias, como as produções de origem protegida".