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PRESS
Escalada das matérias-primas agrícolas pode durar mais três anos

Jornal de Negócios
(7.Janeiro.2008)




 

Os preços das matérias-primas agrícolas deverão subir durante mais dois a três anos, com o açúcar não-refinado a ganhar 20% este ano devido ao aumento da procura para a produção de etanol, segundo o Commerzbank.

"Este ciclo é muito jovem, nem sequer ter dois anos quando comparado com outros sectores, como os metais industriais, metais preciosos ou energia", afirmou à Bloomberg um analista de "commodities" do Commerzbank, Eugen Weinberg.

As cotações do trigo duplicaram num ano, contra um aumento de 33% no índice de "commodities" de maturidade constante UBS Bloomberg. O milho, açúcar não-refinado e algodão são os que mais terreno têm para ganhar este ano, ao passo que o trigo poderá ficar um pouco para trás devido ao aumento de produção por parte dos agricultores, afirmou Weinberg.

O milho poderá superar os 5 dólares por alqueire este ano, contra os actuais 4,66 dólares, e o algodão poderá subir para 80 cêntimos por libra-peso até 2010, contra os actuais 68 cêntimos, referiu o mesmo responsável. "O açúcar não-refinado poderá passar para 20 cêntimos por libra-peso no mercado nova-iorquino nos próximos três anos, contra 11 cêntimos neste momento. No final do ano, é provável que possa estar nos 13 cêntimos", afirmou o analista do Commerzbank.

Os agricultores deverão transferir parte das suas culturas para o trigo e soja este ano, levando a uma menor produção de milho e algodão, segundo Weinberg. Recorde-se que, no ano passado, o trigo e a soja ganharam mais de 75%, ao passo que o algodão registou um acréscimo de 21% e o milho valorizou 17%. "A produção de milho será menor este ano do que o esperado, pelo que prevejo preços mais elevados", salientou.

A procura de combustíveis alternativos, essencialmente devido aos elevados custos do petróleo, vai contribuir para os ganhos do açúcar e do milho, usados para produzir etanol, disse o especialista do banco alemão.

Por outro lado, à medida que os consumidores asiáticos vão consumindo mais carne, óleos e gorduras, mais cereais se destinarão a alimentar gado e porcos, ajudando às pressões sobre a oferta, sublinhou Weinberg.

O algodão também será beneficiado com os elevados custos da energia, uma vez que os fabricantes têxteis estão a deixar de usar o poliester, que provém do petróleo, referiu o mesmo responsável à Bloomberg.

Por último, o analista chamou ainda a atenção para o cacau, que prevê que passe para 2.500 dólares por tonelada em 2010, contra os actuais 2.100 dólares, em grande parte devido ao aumento de procura de chocolate na Ásia.

Saliente-se que as grandes casas de investimento continuam a apostar nas matérias-primas agrícolas em 2008, com especial relevo para o trigo e milho.