DPA e VRT: Tecnologia para uma fertilização orgânica precisa e eficiente

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A distribuição eficiente de estrumes e chorumes é fundamental para a correção química e estrutural do solo, garantindo maior produtividade e sustentabilidade agrícola. Duas das principais tecnologias utilizadas neste processo são o DPA (Débito Proporcional ao Avanço) e o VRT (Taxa Variável – Variable Rate Technology). Embora ambas tenham o objetivo de melhorar a aplicação de fertilizantes orgânicos, cada uma atua de forma diferente e pode ser utilizada em conjunto para otimizar os resultados.

 

DPA – Débito Proporcional ao Avanço

O DPA ajusta automaticamente o débito de distribuição em função da velocidade do trator, garantindo que a quantidade de estrume ou chorume aplicada por metro quadrado se mantenha constante, independentemente das variações de velocidade.

Vantagens
✔ Mantém uma dosagem uniforme e evita desperdícios.
✔ Simples de operar e ajustar.
✔ Reduz o risco de aplicação excessiva ou insuficiente em diferentes pontos da parcela.

Limitações
✖ Não considera as variações das necessidades do solo.
✖ Depende de calibração prévia para garantir precisão.

No contexto da correção química e estrutural do solo, o DPA assegura que a matéria orgânica e os nutrientes são aplicados de forma homogénea, promovendo melhorias na retenção de água, na estrutura do solo e na nutrição das culturas.

 

VRT – Taxa Variável

O VRT, por sua vez, ajusta a quantidade de fertilizante distribuída de acordo com as necessidades específicas de cada zona do solo, baseando-se em mapas de prescrição ou sensores em tempo real. Com essa tecnologia, é possível realizar uma aplicação mais eficiente e direcionada, corrigindo deficiências nutricionais e estruturais do solo com maior precisão.

Vantagens
✔ Ajusta a fertilização às necessidades reais do solo.
✔ Reduz custos e impactos ambientais ao evitar desperdícios.
✔ Melhora a eficiência dos nutrientes e a produtividade da cultura.

Limitações
✖ Requer análise prévia do solo e mapeamento da parcela.
✖ Investimento inicial mais elevado devido à necessidade de tecnologia embarcada.

 

Definição dos Ajustes de Fertilizante no Uso do VRT

Para tirar o máximo proveito do VRT, é necessário seguir um processo estruturado para definir previamente os ajustes de fertilizante.

 

  1. Análise do Solo e Mapeamento da Parcela
    • Realizar amostragens de solo para identificar os níveis de nutrientes e matéria orgânica.
    • Utilizar sensores, GPS, drones ou satélites para mapear as variações da fertilidade na parcela.

2. Criação do Mapa de Prescrição

    • Com base na análise do solo, gerar um mapa de prescrição com as quantidades ideais de aplicação para cada zona.
    • Considerar o histórico da parcela e os objetivos da fertilização.

3. Configuração do Sistema VRT no Equipamento

    • Carregar o mapa de prescrição no controlador do espalhador ou da cisterna.
    • Calibrar o sistema para garantir que a distribuição corresponde às recomendações do mapa.

4. Monitorização e Ajustes em Tempo Real

    • Sensores NIR (Near Infrared) podem ser usados para medir a composição do chorume e ajustar a dose automaticamente.
    • O operador pode acompanhar e corrigir a aplicação através do terminal do equipamento.

 

Resumindo, tanto o DPA quanto o VRT desempenham um papel essencial na gestão da fertilização orgânica. O DPA assegura uma distribuição homogénea e ajustada à velocidade do trator, enquanto o VRT permite uma aplicação mais precisa e otimizada, corrigindo deficiências específicas do solo. A combinação destas tecnologias melhora a eficiência dos fertilizantes orgânicos, promovendo um solo mais fértil, produtivo e sustentável.

Engº Teixeira Marques



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